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Inspiring Alumni - Ricardo Ladeira (Arte e Design)

Sexta, 16 Março, 2018

"... partilha tudo o que fazes para o mundo te conhecer e para sentires a opinião e critica sobre o teu trabalho. Depois é uma questão de perseverança, bater a todas as portas possíveis, enviar e-mails todos os dias, sair para a rua e entregar currículos, não desistir, lidar bem como o não ..."

Ricardo Ladeira apresenta-se como ilustrador e artista plástico. É licenciado em Arte e Design pela Escola Superior de Educação de Coimbra onde o seu talento nunca passou despercebido.

Trabalha como freelancer e participa regularmente em exposições individuais e coletivas. Este mês inaugurou mais uma Exposição, "Contos de arco e flecha", uma reflexão metafórica sobre algumas palavras chave que tanto fazem parte do nosso dia a dia nas mais diversas situações como pontaria, atirar, apontar, atingir, acertar, falhar ou alvo. Merece uma visita até 14 de abril na Galeria-Atelier Metamorfose, no Porto.

 

- É apresentado como ilustrador, pintor, escultor. O que gosta mais de fazer?

Se calhar a definição ideal é de artista plástico por trabalhar várias áreas, e adoro todas de formas diferentes. Das coisas que mais gosto de fazer é escultura e modelação porque me dá um gozo enorme ver uma personagem dar o salto do papel para o seu formato tridimensional, quase como se tivesse a ganhar vida, de um momento para o outro existe, é palpável, e cria-se imediatamente uma ligação emocional muito forte com a peça. Outra coisa que recentemente me tem estimulado imenso e onde tenho produzido mais coisas, é a pintura com tinta acrílica sobre tela, madeiras, cartão ou papel. Tenho sentido uma liberdade criativa muito grande ao trabalhar esta tinta e tem me ajudado a soltar o traço e a desenvolver a minha identidade.

- Pode fazer uma descrição do seu percurso profissional após a conclusão do curso?

É difícil lembrar-me de tudo ou criar uma linha cronológica, até porque sou muito esquecido e distraído, mas vou nomear as parcerias e exposições mais importantes e algumas mostras para as quais fui selecionado. Desde que terminei o curso trabalhei com várias entidades como “Casa Pia”, “Revista Gerador”, “Revista Sábado”, “Revista Epicur”, “Museu Municipal de Coimbra”, “Licor Beirão”, “Jerónimo Martins” ou “Renault”. Tenho também participado em várias exposições coletivas e individuais que passaram por sítios como “Museu Municipal de Coimbra – Galeria Almedina”, “Circus Network - Porto”, “Galeria Sete - Coimbra”, “Galeria Metamorfose - Porto”, “Biblioteca Municipal de Miranda do Corvo”, “Silos Contentor Criativo – Caldas da Rainha”  “Sexta-Feira Produções – Águeda” entre outros. Fui selecionado para o Prémio de Ilustração Nacional da Bienal BIG em Guimarães, para a Festa da Ilustração em Setúbal e para a UIVO – Mostra de Ilustração na Maia. Entretanto venci o concurso de ilustração do Pingo Doce em 2016.

 

- Quais os momentos/experiências do seu percurso Académico que gostaria de destacar?

Tenho imensas saudades da minha turma e de toda uma interação e ligação, dos intervalos nos claustros, dos trabalhos nos “aquários” da biblioteca, das saídas à noite, bem de toda a parvoeira com os colegas, estas coisas que achamos banais mas que nos marcam sem dúvida. Fiz neste curso e na ESEC os meus melhores amigos, que ainda hoje o são. Para além destas coisas, tenho de destacar o profissionalismo e preocupação dos professores que tive, que estiveram sempre disponíveis mesmo depois do seu horário de trabalho, do cuidado em ensinar bem e em mostrar o nosso trabalho em mostras ou exposições. Saber que está ali alguém que acredita em mim e que me quer dar ferramentas para melhorar e evoluir, é super importante e eu senti muito isso. Uma palavra para o professor Bartolomeu que ouviu os alunos e fez um grande esforço para melhorar as condições de trabalho e da construção do curso em si. E para o presidente Rui Mendes que ao saber que eu e mais colegas tínhamos um projeto fora da escola se disponibilizou a dar uma sala na ESEC para nós trabalharmos sem pedir nada em troca. Acho que esta atitude reflete o que é a ESEC.

 

- Foi o vencedor do Prémio de Ilustração do Pingo Doce em 2016. O que mudou na sua vida profissional após vencer o prémio?

Sem dúvida que é um empurrão muito bom para o currículo e as pessoas dão muita importância a prémios na carreira, e ter ganho um tão novo e tão no início é uma motivação extra, deu-me um maior sentido de responsabilidade e preocupação em manter um certo nível de qualidade. Deu-me estabilidade financeira, o que me dá tempo para trabalhar em projetos pessoais e para filtrar melhor os trabalhos que me são propostos.

 

- Quais as melhores recordações que guarda da ESEC?

Acho que já respondi a esta questão, mas os amigos, o cuidado dos professores, o saber que mantenho uma ligação com a escola e sentir que é reciproco. E a minha evolução como pessoa e artista.

 

- Que sugestões gostaria de dar para melhorar a ESEC?

Acho que muitas das sugestões que dei na altura com os meus colegas foram depois colocadas em prática, como as novas mesas de trabalho e condições nas salas de aula, um espaço para trabalhar depois das aulas e o concorrer a concursos de arte e design como projetos nas disciplinas. Fora estas coisas, acho que as “transversais” não são assim tão importantes.

 

- Que conselho daria a um atual aluno de Arte e Design para uma melhor integração no mercado de trabalho?

Primeiro, não esperes que o curso te vai dar tudo, porque não dá, tens de ser tu a perseguir as coisas e a tirar o máximo de sumo possível do curso. Cria uma página de trabalho/site e partilha tudo o que fazes para o mundo te conhecer e para sentires a opinião e critica sobre o teu trabalho. Depois é uma questão de perseverança, bater a todas as portas possíveis, enviar mails todos os dias, sair para a rua e entregar currículos, não desistir, lidar bem como não, e “atirar sempre o barro à parede para ver se cola”.

 

- O Curso de Arte e Design correspondeu às suas expectativas?

Sim e não, como qualquer curso. Mas foram mais as coisas positivas do que negativas. Eu entrei no curso sem saber o que queria fazer, daí ter escolhido um curso geral. Pouco tempo depois de começar percebi que estava muito mais inclinado para o mundo das artes e ilustração, e o que depois fiz foi adaptar-me aos desafios que não me interessavam tanto como design de produto por exemplo, e colocar algo de ilustração ou criação de personagens nesse desafio e isso ajudou me a ultrapassar cadeiras que passaram a não me interessar e deu me ferramentas ótimas para futuros pedidos de trabalho.

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