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Inspiring Alumni - Paula Santos (Animação Socioeducativa)

Quarta, 4 Abril, 2018

"Fazer voluntariado e tentar perceber qual a área em que deseja trabalhar, para mais tarde poder especializar-se na mesma. E não optar pelo tipo de emprego que “está a dar”, mas sim pelo tipo de trabalho que vai ao encontro das suas expectativas. E muito importante, fazer algo a nível internacional como estágio ou voluntariado, com toda a certeza que isso irá acrescentar competências, que hoje em dia são procuradas."

Paula Santos é licenciada em Animação Socioeducativa e depois de terminar o curso não perdeu tempo, fez as malas e partiu para Sevilha onde fez Estágio Erasmus como diplomada e depois para a Roménia para participar num projeto como voluntária. Duas experiências interculturais que mudaram a sua vida e enriqueceram o seu currículo. De regresso a Portugal encontrou emprego na sua área e atualmente exerce funções de Animadora no Centro de atividades de Tempos Livres num Jardim de Infância.

 

Após a conclusão do curso qual foi o seu percurso profissional?

Eu terminei o curso em 2014 e foi complicado encontrar emprego na área porque não tinha experiência. Logo depois, trabalhei num stand no shopping.

No ano seguinte, fiz Erasmus estágio em Sevilha, onde trabalhei com crianças e jovens filhos de imigrantes, como monitora de ócio e tempos livres. Nesse ano também trabalhei com crianças e jovens em contexto hoteleiro.

Em 2016 trabalhei em residências para idosos. Em 2017 fiz voluntariado europeu na Roménia e trabalhei também num jardim de Infância, como animadora infantil. E atualmente trabalho num CATL.

O Curso de Animação Socioeducativa correspondeu às suas expectativas?

Sim. No entanto, penso que há aspetos que deviam ser alterados e/ou implementados. Por exemplo: a realização de estágios em diferentes vertentes todos os semestres; Ter (mais) animadores a lecionar o curso; E tentar mostrar em que medida o curso de Animação enquanto licenciatura difere do curso de Animação do ensino profissional de 12º ano.

Como descreveria a sua experiência Erasmus?

Eu tive duas experiências Erasmus. A primeira foi um Erasmus + estágio em Sevilha (Espanha), no qual trabalhei como monitora de ócio e tempos livres. O meu público-alvo foram crianças e jovens entre os 6 e os 15 anos, filhos de imigrantes.

A segunda experiência foi de voluntariado europeu em Arad (Roménia).

Ambas as experiências foram bastante enriquecedoras. Primeiro, pela interculturalidade. O facto de conhecer pessoas de diferentes países, de entender como se expressam, desde a língua, aos costumes, à gastronomia… Viver com pessoas de diferentes países. E também por me ter deparado com aspetos sociais que até então desconhecia: a imigração, o facto de haver sociedades que se encontram num nível de desenvolvimento diferente do nosso, por exemplo. É bom termos estas noções, de ver como as coisas funcionam lá fora. Até porque isso pode dar ideias para futuros trabalhos e projetos. 

O voluntariado também é um aspeto importante do seu percurso. Pode contar-nos mais sobre essa experiência?

Como já referi anteriormente, em 2017 realizei o serviço voluntário europeu em Arad (Roménia), no qual desenvolvi atividades com idosos em centros de dia, atividades de tempos livres com crianças de etnia cigana e ainda atividades sociais numa cantina municipal.

Decidi fazer este voluntariado porque não estava satisfeita com o tipo de trabalho que tinha na altura, queria mudar e pensar no que realmente pretendia fazer a seguir, e também porque queria ter uma experiência diferente que marcasse o meu percurso pessoal e profissional.

O meu projeto do voluntariado intitulava-se “Volunteer for community” e era constituído por 6 voluntários: duas de Portugal, dois de Itália e dois da Turquia. Já mencionei as atividades que realizámos, e dois dos grandes objetivos eram promover a integração social e hábitos de vida saudáveis (dos idosos e das crianças de etnia cigana). Vivi com mais 5 voluntários na mesma casa, gostávamos bastante de cozinhar pratos dos nossos países, uns para os outros. Eu, a outra portuguesa que integrou no projeto e outros portugueses que conhecemos lá, organizámos a “Noite portuguesa”, na qual cozinhámos pratos típicos portugueses e fizemos jogos com perguntas sobre o nosso país para todos os voluntários da cidade (e ainda eram alguns). Isto para dizer que, para além das atividades do projeto em si, também nos voluntariávamos para fazer outro tipo de atividades extra.

Tivemos também aulas de romeno e, com bastante sorte nossa, o português é a língua mais parecida com o romeno. Com o passar do tempo fomos melhorando o nosso romeno e conseguíamos expressar-nos melhor, principalmente com os adultos.

Para além disso, como tivemos férias, eu e alguns voluntários viajámos pela Roménia. É indispensável para quem está num país diferente e quer conhecer a sua cultura. E posso dizer-vos que a Roménia é um país surpreendente!

Em suma, foi uma experiência bastante positiva na minha vida. Pelo público-alvo com quem trabalhámos, pelas pessoas que conheci, pela interculturalidade que vivi. Até mesmo pelo contraste que senti: o frio, o modo de ser dos romenos, a comida. Conhecer todos estes aspetos e ver as diferenças faz-nos ser mais tolerantes e abertos para com os outros. E por outro lado, também é um ato de coragem, por irmos para outro país com receio do que vamos encontrar lá.

Quais considera serem os pontos fortes do curso?

O facto de termos professores qualificados em diferentes áreas específicas. E termos a opção de escolher entre a vertente A- tempos livres e a vertente B- Educação de Adultos e desenvolvimento local. E, igualmente, o facto de podermos exercer o nosso trabalho com diferentes públicos-alvo, em diferentes contextos e estarmos aptos para criar e gerir projetos sociais e educativos.

 

Quais as melhores recordações que guarda da ESEC?

As amizades que criei, que ainda hoje mantenho contacto. Os professores. A semana de praxe, os "doutores", aliás as praxes no geral. A festa de Natal ou até mesmo alguns funcionários.

- Que sugestões gostaria de dar para melhorar a ESEC?

Realização de sessões, em que convidem os ex-alunos dos vários cursos para falar sobre o seu percurso profissional e melhorar a parte do ginásio.

- Que conselho daria a um atual aluno de Animação Socioeducativa para uma melhor integração no mercado de trabalho?

Fazer voluntariado e tentar perceber qual a área em que deseja trabalhar, para mais tarde poder especializar-se na mesma. E não optar pelo tipo de emprego que “está a dar”, mas sim pelo tipo de trabalho que vai ao encontro das suas expectativas. E muito importante, fazer algo a nível internacional como estágio ou voluntariado, com toda a certeza que isso irá acrescentar competências, que hoje em dia são procuradas.

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