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Inspiring Alumni - Cláudia Carvalho (Teatro e Educação)

Segunda, 22 Outubro, 2018

É preciso ter muita vontade de aprender com os outros, porque um artista está sempre em constante formação, não é um curso estanque. Cada pessoa dá um contributo diferente. Se ficarmos parados as coisas não acontecem, os projetos só acontecem com pessoas.

Cláudia Carvalho, licenciada em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação, divide a sua vida profissional entre o ensino e a representação. É Coordenadora do Curso Profissional de Artes do Espetáculo no Colégio de São Teotónio onde já trabalha há quase 10 anos. Integra um novo projeto com o Teatrão que vai iniciar em janeiro. Também é professora das Classes de Teatro no Teatrão, na Companhia. Recentemente integrou o elenco do filme “Pedro e Inês” de António Ferreira.

Pode falar-nos sobre o seu percurso profissional após a conclusão do curso de Teatro e Educação…

Assim que terminei o curso, já tinha trabalho no Teatrão. Aliás, eu antes de frequentar o curso comecei a trabalhar como atriz na companhia. Nós eramos todos da mesma turma ou da mistura de duas turmas. Trabalhámos juntos, na Companhia alguns anos. Depois, surgiu a oportunidade de abrir o Curso Profissional no Colégio de São Teotónio. Na altura a Professora Cristina Faria, sugeriu o meu nome ao Diretor da escola e comecei a lecionar a disciplina de Oficina de Teatro aos 7º e 8º anos. Só no ano seguinte, é que  o Diretor do Colégio me lançou o desafio. Passados 10 anos ainda continuo lá, este ano um pouco mais afastada, por opção, mas vou fazendo sempre outras atividades paralelas, nunca abandonei o teatro, a não ser nestes 5 anos em que me dediquei mais à maternidade. Sempre fiz teatro, basicamente com a Casa da Esquina e o Teatrão. 

Como professora de Artes e Espetáculo nota uma maior tendência dos jovens para esta área?

Depende das turmas, tal como acontece noutras estruturas, há miúdos que querem mesmo seguir a área do Teatro, e acabam por vir para a ESEC estudar Teatro e Educação, mas há outros que vêm nesta área uma forma diferente de terminar o ensino secundário. Tenho muitos ex alunos que estão aqui na ESEC ou até, que já terminaram a licenciatura. Outros seguem para o antigo conservatório, Escola Superior de Teatro e Cinema, e muitos deles seguem outros caminhos. Os que querem mesmo isto, cada vez mais vão para esta área desde cedo.

Porquê a escolha da ESEC e este curso quando se candidatou ao ensino superior? Tinha alguma referência?

Eu na altura, quando vim para cá, estava a frequentar o curso de Estudos Teatrais em Évora, estava no 4º ano, mas surgiu a oportunidade de fazer um casting para um espetáculo do Teatrão e em conversa com o António Mercado, que na altura já tinha sido meu professor no CENDREV, sendo a minha grande referência, o meu mestre, sugeriu que pedisse transferência para a ESEC. Ao fazê-lo, fiquei na turma do 2º ano, pois tive algumas equivalências a algumas disciplinas, e foi assim que tive conhecimento do curso de Teatro e Educação.

A formação na ESEC correspondeu às suas expectativas?

Sim, muito. A grande mais valia do curso é esta dupla formação.  Não somos formados apenas como atores, mas também como pedagogos. Temos uma visão mais ampla do Teatro e das valências que ele pode ter na Educação. É um curso diferente de todos os outros, com as duas vertentes, dá-nos a possibilidade de podermos construir  o nosso caminho como artistas completos.

Outro ponto muito positivo são as referências, os mestres que vêm, os encenadores que vem de fora, trabalhar nos laboratórios e nos projetos. Embora eu considere que deveria ter uma componente de educação ainda mais forte. No meu tempo tinha, atualmente pelo que sei não tem tanto.

A colaboração com o Teatrão também permite aos nossos diplomados, alunos de Teatro e Educação mostrarem ao público aquilo que sabem fazer e mostrarem o seu valor. Considera importante essa ligação?

Considero fundamental essa ligação entre a ESEC e as companhias da cidade, especialmente o Teatrão. É muito importante, pois dá oportunidade aos alunos de mostrarem o que fazem aqui, a possibilidade de operacionalizarem o seu trabalho e o mostrarem à comunidade. Por outro lado, podem perceber também como funciona uma Companhia de Teatro Profissional, com tudo aquilo que tem de bom, mas também com as dificuldades diárias de subsistência. Muitos projetos nascem desse diálogo, estou a lembrar-me do exemplo da Trincheira Teatro,  que surgiu do projeto Plataforma T2, que permitiu aos recém licenciados darem o salto para a vida profissional .

Como professora de um curso profissional nesta área, incentiva os seus alunos a virem ver as peças do nosso curso de Teatro?

Vamos sempre, aliás faz parte do plano de atividades das turmas. Considero muito importante, não só porque é um espetáculo, e nós vamos ver tudo aquilo que conseguimos e que acontece na cidade, mas também precisamente porque, são alunos de Teatro do Ensino Superior.  Muitos dos meus alunos também o ambicionam, e ver os projetos deles e de onde é que partem, até onde chegam, conversar no final com os encenadores, com os atores, é muito importante.

Eles adoram participar nos encontros de teatro proporcionados pela ESEC, este diálogo entre o curso profissional e o ensino superior, permite que percebam como é que funciona a etapa seguinte, despertando o interesse pelo curso. Aliás, a minha direção de turma que vai sair agora, de 25 alunos, grande parte quer ingressar na ESEC em Teatro e Educação.

Que conselho daria a um atual aluno de Teatro e Educação para uma melhor integração no mercado de trabalho?

 O mais importante, é não ficarem sentados à espera que as coisas caiam do céu. No final da licenciatura é preciso dar-se a conhecer, é preciso ver espetáculos, perceber o que as companhias fazem na comunidade, é preciso participar e não esperar que alguém convide, isso não acontece. É preciso ter muita vontade de aprender com os outros, porque um artista está sempre em constante formação, não é um curso estanque. Cada pessoa dá um contributo diferente. Se ficarmos parados as coisas não acontecem, os projetos só acontecem com pessoas.

 

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