
Thursday, 11 March, 2021
Eu gosto de fazer um pouco de tudo. Mas qualquer músico gosta especialmente de tocar, de viajar, de dar concertos, de estar na estrada. No meu caso, poder ensinar, é igualmente e especialmente um gosto, uma responsabilidade e uma partilha que defendo ser essencial no mundo artístico!
Jorge Marinheiro, licenciado em Música, Ramo de Música e Tecnologias pela Escola Superior de Educação, divide a sua vida profissional entre o ensino e os palcos, como pianista. É Atualmente Professor Assistente Convidado na ESEC nos cursos de Estudos Musicais Aplicados, Teatro e Educação e “Comunicação e Design Multimédia”. É também professor na Academia de Música de Coimbra.
É licenciado em Música, Ramo de Música e Tecnologias. Quais considera serem os pontos fortes do curso?
Os pontos fortes desta licenciatura são, em primeiro lugar, ser um curso muito prático, com componente forte na Prática Vocal e Instrumental. Uma licenciatura diferenciadora do que já existe. No ensino superior, quando pensamos tirar uma licenciatura na área da Música, ou pensamos em Ciências Musicais ou pensamos numa licenciatura em Performance, vulgo estudo de instrumento, esta licenciatura é diferente. A licenciatura em Estudos Musicais Aplicados abre portas para um mercado que também existe e que é igualmente importante. Músicos profissionais que tenham competências ou no campo das Tecnologias da Música ou Músicos profissionais que tenham competências em contextos especiais de intervenção prática. São duas áreas diferentes, como por exemplo poder trabalhar em produções musicais, em produções teatrais (como músicos), em toda a parte técnica das mesmas – no que ao áudio diz respeito. Poderem também ser interventivos em instituições, em cenários de reabilitação, de musicoterapia, trabalhar com populações específicas em prisões, hospitais, em contextos de ensino não formal em paralelo com a sua profissão de Músicos noutros projetos musicais - projetos de palco e de estrada.
De todas as áreas de que falou, o que gosta mais de fazer?
Eu gosto de fazer um pouco de tudo. Mas qualquer músico gosta especialmente de tocar, de viajar, de dar concertos, de estar na estrada. No meu caso, poder ensinar, é igualmente e especialmente um gosto, uma responsabilidade e uma partilha que defendo ser essencial no mundo artístico!
Que conselhos daria aos seus alunos para uma boa integração mercado de trabalho?
Principalmente, gostarem de fazer o trabalho bem feito, com brio profissional e dedicação, porque os resultados vêm sempre por acréscimo. Seja resultados em apreciações académicas, seja em produto do esforço investido no mercado de trabalho. Gostando de produzir bom trabalho, todos os bons dividendos vêm por acréscimo.
Há alguma experiência enquanto aluno da ESEC que gostasse de destacar?
Enquanto aluno da ESEC tive oportunidade de colaborar numa produção do Teatrão. Em 2010, o Teatrão precisava de um pianista para uma produção que se chamava “Single Singers Bar”, encenada por Dagoberto Feliz, ator e encenador brasileiro. Um dos professores da área de Música da ESEC abordou-me perguntou se não estaria interessado em assumir esse papel. E assim foi. Esta colaboração acabou por criar uma ponte entre o estudo da música na ESEC e o ambiente do Teatro. Havia na altura ex-alunos da ESEC no Teatrão, profissionais criados na ESEC, assim como alunos.
No primeiro ano tive também uma experiência interessante que foi criar uma banda sonora para um vídeo composto por fotografias de recuperação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Foi uma experiência bastante interessante.
Recordo ainda outra experiência, uma visita dos alunos finalistas à Musikmesse, em Frankfurt. Foi uma experiência muito interessante poder visitar uma das maiores Feiras Internacionais de Música, onde podemos ver e contactar com as pessoas que estão por detrás da indústria toda, seja da indústria da construção de instrumentos à indústria da publicação de obras. Uma experiência que recomendo a toda a gente que esteja no mundo da música. Cheguei a voltar lá uma segunda vez e quero lá ir uma terceira e uma quarta.
O curso correspondeu às suas expetativas?
Claro que sim. E tenho muito gosto em estar agora na ESEC a dar o meu contributo.
Eu não estaria aqui hoje se não tivesse vindo para cá estudar. Ter passado pela experiência de ser pianista em Teatro provavelmente não teria acontecido se não tivesse vindo para cá estudar. Teria feito outras coisas, estaria a trabalhar no mundo da música (eu já trabalhava na música antes de vir estudar para a ESEC) mas apenas como executante, como pianista. Estaria a trabalhar provavelmente com outras pessoas. No entanto, tenho o gosto de trabalhar com antigos professores meus na ESEC e na Academia de Música de Coimbra tenho o gosto de trabalhar com antigos colegas meus de curso. Acaba por ser um percurso que começou aqui.

Em que projetos está ou esteve envolvido como pianista?
Sou teclista dos “Quem é o Bob?”, banda de tributo a Bob Marley e ao reggae mundial, que conta com presenças em palcos nacionais e internacionais assim como referência no próprio site oficial do Bob Marley. Outros projetos que integrei nos últimos anos... pianista para vários cantores e artistas vindos dos habituais programas de talentos, assim como músico de estúdio e sessão para alguns discos em colaboração com alguns estúdios de gravação... mas aproveito para destacar a minha colaboração como pianista para o Músico e Youtuber Paulo Sousa, também ex-aluno da ESEC.e referir alguns dos projetos em que está ou esteve envolvido como pianista?
Estou satisfeito com a vida profissional que tenho, embora não seja de ficar parado. Tudo o que sejam novos projetos interessantes, gosto de os abraçar e de os levar a bom porto.